“O Corsário Negro” – Emilio Salgari

VO-Corsario“O Corsário Negro” é, sem dúvida, uma das mais conhecidas obras de Emílio Salgari (Itália, 1862-1911), e não é difícil perceber porquê. O que talvez seja difícil perceber é por que razão Hollywood ainda não pegou nesta personagem (ou noutras de Salgari) e a aproveitou para fazer um fantástico filme de piratas. Escrito numa altura (1898) em que o cinema ainda não imaginava onde iria chegar, a acção de “O Corsário Negro” (que agora regressou as livrarias portuguesas por iniciativa da Via Óptima) decorre a um ritmo que se poderia chamar de cinematográfico – começa logo na primeira linha: “Uma voz forte de vibração metálica retumbara nas trevas, lançando esta frase ameaçadora:
– Homens da canoa! Alto ou meto-os a pique!”
A vingança dá o mote para o arranque desta aventura. O Corsário Negro (o fidalgo italiano Emilio de Roccanera) persegue Wan Guld, um duque flamengo governador Maracaíbo e responsável pela morte dos seus irmãos (Corsário Verde e Corsário Vermelho), que jurou matar, assim como a todos os seus parentes. Começa por tentar apanhá-lo em Maracaíbo (na actualidade, na Venezuela), onde se envolve numa luta com fidalgos e soldados locais depois de se ter barricado numa casa, “cena” que proporciona uma das partes mais divertidas na obra, já que o Corsário Negro e os seus acólitos vão sucessivamente aprisionando todos os visitantes que o proprietário vai recebendo.
Entretanto, Maracaíbo, graças à prestimosa ajuda de outros piratas (são todos cavalheiros, e para eles a honra está acima de tudo – daí a facilidade com que se estabelecem alianças entre eles), é conquistada, mas Wan Guld escapa-se. É então encetada pelo Corsário Negro e alguns companheiros uma longa perseguição pé pela selva, onde se vão defrontar com diversos perigos, os mais assustadores proporcionados por tribos canibais das Caraíbas. Mas a fauna local é um inimigo que não pode ser esquecido e também faz as suas vítimas, sendo feita por Salgari uma luxuriante descrição do ambiente da selva. 
E claro, sendo este um livro de piratas, não faltam ao longo do seu enredo, perseguições e combates no mar, acostagens, abordagens, e até um caso de um amor com tanto de arrebatador como de impossível, protagonizado pelo próprio Corsário Negro e por uma jovem dama capturada numa embarcação do “inimigo”.
A riqueza da linguagem de Salgari ajuda a um maior envolvimento do leitor, já que, passado mais de um século desde que foi escrita, a obra continua viçosa como então terá sido. Salgari limitou-se ao essencial para nos apresentar a sua história, não recorrendo nunca a artifícios que sirvam unicamente para “gastar” páginas, daí que não se vivam momentos mortos durante a leitura de “O Corsário Negro”. Já saberia, por certo, que a credibilidade de uma obra não se mede pela quantidade de páginas… ou nem se interessaria pelo assunto.
Note-se que a tradução desta edição da Via Óptima é a mesma que foi utilizada em 1938 na editora Romano Torres, da autoria de A. Duarte de Almeida.
“O Corsário Negro” é o primeiro volume do ciclo designado “Os Corsários das Antilhas. E agora segue-se “A Rainha dos Caraíbas”, também já editado pela Via Óptima…
Mais tarde virá “Iolanda, a Filha do Corsário Negro”, “O Filho do Corsário Vermelho” e “Os Últimos Corsários”.

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3 responses to ““O Corsário Negro” – Emilio Salgari

  1. Oxalá a Via Óptima consiga levar até ao fim o projecto de publicar a obra de Salgari. Já tinha procurado as continuações do “Corsário Negro”, mas não estavam editadas em português. Falha que foi agora corrigida. Parabéns aos responsáveis por esta colecção.

  2. Eu adorei o primeiro livro e espero conseguir arranjar os seguintes

  3. Por acaso vim ter aqui. O meu amor pelos livros antigos levou-me à procura de “O Corsário Negro” e ainda de “O Filho do Corsário Vermelho”.
    Livros que fizeram parte da minha infância (e junto mais, como “O Conde de Monte Cristo”, são absolutamente maravilhosos.
    Será possível encontrar estes dois (pelo menos estes) livros? Pretendo lê-los e, se possível, comprá-los,
    O seu Porta-Livros é muito importante. Obrigado, não vou deixar de visitar. agora que o conheci.
    Parabéns

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