“Legado 731”, de Lynn Sholes e Joe Moore, entre as novidades de Abril da Europa-América

o_legado7312a-chave“O Legado 731”, romance da dupla norte-americana Lynn Sholes e Joe Moore (autores de “A Conspiração do Graal”, “O Último Mistério” e “O Projecto Hades”), é um dos principais destaques das novidades de Abril da Europa-América, que lança também o livro de auto-ajuda “A Chave Para Viver a Lei da Atracção”, de Jack Canfiel.

No thriller “O Legado 731”, um surto de gripe mortal assola Nova Iorque e põe em perigo de contágio todo o país. Tudo começa a saber-se quando um homem vitimado por uma terrível doença entra nas instalações da Satellite News Network e, pouco antes de morrer, murmura duas palavras ao ouvido de Cotten Stone: “Agulhas Negras”. Uns dias mais tarde outras mortes se seguiriam em todo o mundo. E quando o cardeal John Tyler, o amor impossível de Cotten, adoece, ela apercebe-se de que a epidemia não se deve a causas naturais. Durante uma alucinante investigação, que vai da Coreia do Norte até ao castelo de Drácula, ela descobre uma terrível atrocidade da Segunda Guerra Mundial, que mancha o passado da América, bem como um grupo de bombistas modernos armados com micróbios letais.

A Europa-América aposta também em Abril em “A Chave Para Viver a Lei da Atracção”, de Jack Canfiel (autor de “A Canja de Galinha Para a Alma”) e D. D. Watkins, um guia simples para ter a vida com que sempre sonhou. Neste livro, o autor partilha os seus conhecimentos e experiências e apresenta-lhe técnicas comprovadas para aplicar a lei da atracção à sua vida.

Para o publico juvenil foi lançado “Sam e O Coração da Serpente”, livro III da Trilogia do Dragão, de Thomas Bloor. Segundo a sinopse, “Sam é vítima de uma maldição que assombra a sua família há gerações e que o transformou para sempre numa horrível criatura e numa ameaça para todos os que o rodeiam. Mas os seus inimigos de outrora estão determinados a matar Sam e, num local longínquo, um segredo terrível é revelado: Fen, a malévola rapariga-dragão, no cativeiro desde o seu nascimento e enlouquecida pelo ódio, quer a todo o custo pôr fim à vida do corajoso Sam. Quando os seus caminhos se cruzam, Sam travará a derradeira luta pela sua vida e pelo destino da Humanidade.”

“Intriga em Oxford” é o título de mais uma obra de Veronica Stallwood, integrada na colecção Crime Perfeito. A romancista Kate Ivory recebe muitas cartas dos seus fiéis leitores, mas quando se depara com uma encomenda que contém apenas um pequeno e misterioso anel dourado, fica muito intrigada. Convidada pelo seu editor para várias sessões de autógrafos, Kate é acompanhada por Devlin Hayle, um famoso autor de policiais. Porém, o exuberante Devlin tem um talento especial para atrair sarilhos e é

perseguido por vários homens sinistros que querem vê-lo morto.

A Europa-América lança ainda em Abril “O Tibete”, de Claude B. Bentley, “A Psiquiatria do Bebé”, de Luis Alvarez e Bernard Golse, e “Pequeno Tratado da Naturopatia”, de Christopher Vasey.

“Imagens de Praga” – John Banville

praga11“Imagens de Praga”, do irlandês John Banville, é o terceiro volume da colecção “O Escritor e a Cidade”, em boa hora lançada pelas edições ASA. Após Paris (“Os Passeios de um Flâneur” – Edmund White) e Florença (“Um Caso Delicado” – David Leavitt), chega a vez de aceitarmos Banville como orientador de uma “viagem” a Praga, a capital checa, mas desde já com o aviso que esta obra nada tem que ver com um guia turístico.
Ficamos a conhecer Praga, sem dúvida, mas não a dos postais ilustrados, antes a verdadeira, bem mais cinzenta, mas nem por isso menos atraente – só depende do que procuramos.
O começo da obra é algo desanimador para quem espera uma Praga deslumbrante. John Banville descreve a cidade tal como a conheceu, ainda na década de 80, antes da abertura do Leste ao Ocidente. Descreve assim um povo oprimido e deprimido, o que se reflecte na cidade e numa escrita com travo de desilusão, consequência da própria desilusão do autor.
Mas, a verdade é que aos poucos se vai gostando cada vez mais desta Praga pragmática, pelo seu mistério, pela sua tristeza, melancolia, fatalidade. Para Banville Praga é propensa à tragédia, sendo o exemplo mais recente as terríveis cheias do rio Vlatva em Agosto de 2002.
Uma das opções, bem sucedidas, do autor é contar a história da cidade através das histórias de diversas personalidades que lá viveram. Para além do inevitável Kafka, travamos também conhecimento como o fotógrafo Josef Sudek (autor da foto da capa do livro), o imperador Rodolfo II, o astrónomo Tycho Brahe (que viveu entre os séculos XVI e XVII), curiosamente todas personagens muito pitorescas com manias incríveis.
Mas Banville opta por misturar estes aspectos mais folclóricos com episódios que ele próprio viveu na cidade, antes e depois da queda do Muro de Berlim. Assim, dás-nos a conhecer alguns momentos, conversas principalmente, que viveu em Praga durante as suas visitas à capital checa. É dessa forma que conhecemos os cidadãos comuns de Praga e, através das vidas deles, a realidade desta cidade.
John Banville, nascido na Irlanda em 1945, estreou-se na escrita em 1970 com o romance “Long Lankin”. Posteriormente lançou “Doutor Copérnico”, “Kepler” e o “Livro da Confissão”. Com “O Mar” ganhou o Booker Prize 2005.

Pedro Pinto – Entrevista a propósito de “O Último Bandeirante”

pedro_pinto_162Pedro Pinto, jornalista da TVI, estreou-se em Março de 2009 como romancista com “O Último Bandeirante”, respondendo assim a um desafio lançado pela Esfera dos Livros.  O seu gosto pela História e pelos grandes descobridores, nomeadamente os mais esquecidos, levaram-no a optar, para protagonista, por António Raposo Tavares, o maior bandeirante de todos. Inspirado por um grande quadro com que se deparou no Museu de Arte de São Paulo, “partiu” para uma viagem pela Amazónia de há 400 anos.

Em entrevista por e-mail, Pedro Pinto revelou ao blog Porta-Livros as suas motivações, tanto quanto ao tema escolhido como relativamente à opção pela escrita de ficção.

Ciente do “estigma” que carregam os jornalistas/pivots que se dedicam à escrita, foi esclarecedor: “As pessoas podem gostar mais ou menos da história, podem achar ‘O Último Bandeirante’ mais ou menos bem escrito, mas ninguém me vai poder acusar, a não ser de forma desonesta ou maldosamente, de me ter sentado e em três dias ter escrito um livro só porque sou conhecido e eventualmente popular.”

 

Sendo jornalista e por isso tratando todos os dias de temas da actualidade, optar pelo romance histórico é uma espécie de escape?

Acima de tudo tenho gosto pela História e por grandes descobridores, por grandes portugueses que fizeram a História de Portugal e do Mundo. Muitas vezes esquecidos, como este António Raposo Tavares, português de Beja, alentejano que chegou ao Brasil já com 20 anos. Injustamente esquecido, diga-se, depois de uma viagem notável e inigualável. As notícias do dia-a-dia são importantes, mas há um traço na grande História que perdura para sempre.

 

O que o levou a optar por este tema e por esta época?

Sobretudo um quadro enorme do tamanho de toda uma parede, à entrada do Museu de Arte de São Paulo, e que me deixou fascinado com a dimensão da viagem, feita há 400 anos e sem meios, debaixo de um ambiente físico impiedoso, numa Amazónia apaixonantemente bela mas agressiva. E uma viagem capaz de engrandecer Portugal e os Portugueses, ao nível de que foi feita por grandes navegadores e que coloca qualquer David Crockett a um canto!

 

Controlou sempre o enredo da sua história, ou chegou a ser surpreendido pelo rumo que a acção de “O Último Bandeirante” foi tomando?

Sabia como ia acabar, porque esse era e é um dado e um facto histórico imutável. Mas o enredo da história foi sendo construído e alterado à medida que eu próprio me surpreendia com a teia de interesses sociais e económicos que marcavam o Brasil da época e que me levaram mais de um ano de investigação. Sobretudo, uma corrida de morte entre Portugueses e Espanhóis que, embora debaixo do mesmo rei – relembro que estamos em período filipino – cada um procurava expandir a sua influência naquelas terras. Para além de uma profunda oposição entre jesuítas e bandeirantes. Uns a espalhar a palavra de Deus aos indígenas, a tentar criar um verdadeiro Novo Mundo, na fé e na palavra de Deus, outros a destruir missões, a escravizar os índios e a tentar marcar território para Portugal.  

 

O que o levou a enfrentar este desafio de escrever um romance?

O gosto pela História, pela aventura, a curiosidade por um herói português pouco conhecido dos portugueses, até maltratado pela memória colectiva, atreveria mesmo a dizer, e a resposta a um repto feito pela Esfera dos Livros, que me desafiou a escrever um romance histórico.

 

Escrever um romance foi para si uma tarefa solitária, ou tratou-se antes de um processo em que procurava auxílio e apoio de outras pessoas para o ajudar nesta fase nova/diferente da sua carreira?

Escrever foi uma tarefa solitária, que alternava muitas vezes entre a exaltação da descoberta ou o prazer do enredo e a angústia de poder, eventualmente, estar a contar uma história capaz de não interessar a ninguém. No fundo, de estar a sacrificar uma série de coisas, durante dois anos, para nada.

 

Acha que os jornalistas têm mais facilidade em se tornarem escritores por estarem habituados à pressão diária da escrita no exercício da sua função? Ou estar habituado a esse tipo de escrita pode, pelo contrário, ser nocivo quando se entra num ritmo “mais lento”?

Não consigo ter uma resposta concreta e muito menos generalista. No meu caso, ser jornalista acho que me ajudou na capacidade de síntese de algumas matérias históricas e na criação de imagens que ajudassem o leitor a “viver” o século XVII. Mas escrever um pivot para uma peça de televisão nada tem que ver com a escrita de um romance. Nesse aspecto, tenho uma forma muito lenta de escrever.

 

Considera “O Último Bandeirante” apenas uma experiência ou pensa seguir efectivamente esta carreira?

Eu sou jornalista e professor universitário. Essas são as minhas carreiras. Nesta altura, cheguei ao fim de um projecto e quero apenas desfrutar de tudo o que tive de me privar para que ficasse completo. Neste momento, só o ócio e poder estar mais tempo com a minha família é que me preocupa.

 

Quais são as suas referências a nível literário?ultimo_bandeirante

Gosto de autores muito diferenciados: Paul Auster, Phillip Roth, Ferreira de Castro, Eça de Queiroz e Jorge Amado, Milan Kundera e John Le Carré, Vasquez-Figueroa ou Luis Sepúlveda. E gosto também muito de Hugo Pratt e do seu Corto Maltese. Um grande contador de histórias. Mas adoro sobretudo um bom livro que nos faça viver outras vidas ou outros tempos.

 

Não teme ser catalogado como “mais um jornalista de televisão que quer ser escritor” e por isso não ser levado a sério?

Não é uma questão de temer ou não temer. Tenho a certeza que muitos pensarão assim. Mas eu impus a mim mesmo uma regra, uma fronteira, tal como Raposo Tavares: as pessoas podem gostar mais ou menos da história, podem achar “O Último Bandeirante” mais ou menos bem escrito, mas ninguém me vai poder acusar, a não ser de forma desonesta ou maldosamente, de me ter sentado e em três dias ter escrito um livro só porque sou conhecido e eventualmente popular. E isso foi desde o início um ponto de honra, uma questão de dignidade para comigo próprio, da qual nunca estive disposto a abdicar.

 

Tem, com certeza, noção que o facto de ser figura pública o ajuda na promoção do livro. Isso incomoda-o?

Não me incomoda. As coisas são como são! Mas uma promoção, por melhor que seja feita, não torna um livro mau num livro bom. Não torna uma leitura desagradável numa leitura empolgante. E, falando como leitor, só me deixo enganar uma vez…

 

O que diria a alguém para o convencer a ler “O Último Bandeirante”?

Esta é uma história de um grande português que fez uma viagem notável por terras exóticas e desconhecidas, cheias de mitos de riqueza e de maldição, por entre a oposição dos jesuítas e as agruras da natureza, que se aventurou por onde nunca ninguém tinha estado e foi decisivo para que a Amazónia, e grande parte do território do Brasil, tivessem passado a pertencer a Portugal e não a Espanha.

 

(Entrevista inédita realizada em 2009)

Porto Editora e Pedro Sena-Lino lançam blogue de Escrita Criativa

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A Porto Editora colocou online um blogue dedicado à escrita criativa, enquanto disciplina, e ao trabalho e aos títulos de Pedro Sena-Lino, enquanto formador na área. Para além dos dois manuais de escrita criativa, Pedro Sena-Lino coordenou, para a Porto Editora, o volume “Contos Policiais”, que terá dois sucedâneos noutras áreas em breve, e prepara-se para publicar o seu primeiro romance no mês de Maio, também pela Porto Editora.

Acessível em http://escritacriativa.portoeditora.pt, o blogue fornece informações, sugestões de formação e serve também para publicar textos de alunos dos cursos de Pedro Sena-Lino. O objectivo é criar um repositório de informações ligadas à escrita criativa acessível a todos na Internet, com base nos títulos recentemente publicados: “Curso de Escrita Criativa I – Criative-se: usar em caso de escrita” e “Curso de Escrita Criativa II – Uma Costela de Quem?”

Para além de uma área central, com actualizações regulares, o blogue conta ainda com informações sobre a disciplina, o autor e respectivos livros e cursos.

 

 

“Espíritos das Luzes” (Gailivro), de Octávio dos Santos, apresentado a 8 de Abril em Lisboa

espirito“Espíritos das Luzes”, obra assinada pelo jornalista Octávio dos Santos e editada pela Gailivro, chega às livrarias no início de Abril. A sessão de lançamento será no dia 8 de Abril, às 18h30, na FNAC Chiado, em Lisboa, cabendo a apresentação a Miguel Real.

Segundo o autor, “(…) este livro de certa forma ‘mistura’ o ambiente do Portugal setecentista com um cenário de ficção científica. Embora seja, à partida, uma obra de ficção, um romance(?), uma fantasia, ‘Espíritos das Luzes’ assenta, contudo, na presença de personagens reais, cujas falas, são, na totalidade, as suas próprias palavras escolhidas, transcritas  e outras tantas dos seus livros, discursos, cartas e outros documentos.”

Actual Editora lança “Controle as Regras do Jogo”

regras-jogo“Controle as Regras do Jogo”, de A. G. Lafley e Ram Charan, obra lançada em Março pela Actual Editora, pretende ensinar o leitor a aprender como inovar e amadurecer um negócio, desenvolver margens de negócios superiores, criar novos mercados e clientes, fortalecer um modelo de negócio, integrar aspectos inovadores nas decisões a nível da gestão, gerir o risco e tornar-se líder na inovação.

“Liderar pelo Exemplo”, outra novidade da Actual, é uma colectânea de vários autores, líderes da indústria, sector público e universitário, de companhias e instituições em todo o mundo. Esta obra integra uma colecção que, a cada livro, proporciona cerca de 12 a 14 textos de líderes da indústria, sector público e universitário sobre as questões mais relevantes que já enfrentaram. Oferecem ao leitor conselhos práticos baseados na sua experiência de anos de esforço.

Caminho lançou “Uma Aventura na Amazónia”, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

capacastelo2Já está disponível nas livrarias “Uma Aventura na Amazónia”, 51.º volume desta colecção da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, editada pela Caminho.

Desta vez, Teresa, Luísa e Pedro vão acompanhar as respectivas mães a um congresso médico que se realiza em Manaus, no Brasil, dado que é a agência de viagens onde trabalha a mãe das gémeas que está a organizar o evento. Mas, será que o Chico e o João ficam em casa ou vão poder desfrutar todos juntos do esplendor da maior (e mais fantástica!) floresta do mundo? As autoras prometem uma grande aventura no “lugar mágico do encontro das águas, com botos, sucuris, pirarucús e uacaris à mistura!”

O próximo livro da colecção vai chamar-se “Uma Aventura no Pulo do Lobo”.

Ana Maria Magalhães nasceu em Lisboa a 14 de Abril de 1946 e iniciou a actividade docente como professora de História de Portugal em 1969, em Moçambique. A par de uma intensa actividade no domínio da educação, estreou-se como escritora de livros infanto-juvenis em 1982.

Isabel Alçada nasceu em Lisboa a 29 de Maio de 1950 e em 1976 optou por seguir carreira como professora de Português e História. A par de uma intensa actividade no domínio da educação, estreou-se como escritora de livros infanto-juvenis em 1982.

Arlindo Fagundes, autor dos desenhos das personagens e das cenas de “Uma Aventura”, frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, e formou-se como realizador de cinema no Conservatoire Libre du Cinéma Français, em Paris. Ainda estudante, iniciou-se profissionalmente nas Artes Gráficas e no Design Gráfico. A estas actividades viriam a juntar-se mais tarde a Cerâmica e a Escultura.

 

O filme promocional de “Uma Aventura na Amazónia” pode ser visto em:

 

http://www.youtube.com/watch?v=P25cdPNIyQ0&feature=channel_page

Biografia “Marcello Caetano – O Homem que Perdeu a Fé”, de Manuela Goucha Soares, apresentada a 31 de Março em Lisboa

marcello-caetano721“Marcello Caetano – O Homem que Perdeu a Fé”, uma biografia assinada por Manuela Goucha Soares e editada pela Esfera dos Livros, será apresentada no dia 31 de Março (terça-feira) na Sala de Convívio da Sociedade Portuguesa de Geografia, em Lisboa.

A apresentação do livro, que terá lugar às 18h30, estará a cargo do ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira.

“A Juventude de Corto Maltese” – Hugo Pratt

juventude-corto1O magnífico álbum “A Juventude de Corto Maltese”, de Hugo Pratt, foi lançado em Portugal pela Meribérica-Liber, que assim deu seguimento à iniciativa de publicar as obras deste famoso e carismático herói da banda desenhada. Esta aventura do então jovem Corto decorre durante a guerra russo-japonesa, em 1904, e fica marcada pelo encontro do marinheiro de Malta com o louco Rasputine, assim como com Jack London, na época correspondente de guerra. Antes de entrar na aventura propriamente dita, Hugo Pratt brinda os leitores com uma explicação histórica sobre as origens da guerra russa-nipónica, permitindo assim uma maior contextualização e identificação com a história. Aliás, após o texto explicativo do autor, surgem algumas páginas com ilustrações sobre os uniformes dos oficiais e soldados do exército japonês, seguindo-se outras pranchas com “retratos” dos vários componentes do exército russo, provenientes das mais variadas regiões. Há também duas páginas com as figuras dos reais protagonistas do conflito, retiradas de uma antiga colecção de chocolates espanhóis. Uma das particularidades deste álbum, originalmente lançado em 1996, é que Corto Maltese, apesar de sempre presente na mente de amigos e inimigos, tem uma diminuta presença física, ou seja, pouco aparece nas pranchas. O argumento centra-se essencialmente nas figuras de Jack London e Rasputine, mas revela-se fundamental para o futuro de Corto Maltese, que anda por aquelas bandas à procura das minas do Rei Salomão – como sempre envolvido em aventuras solitárias que vão além dos “simples” problemas do mundo. Jack London, repórter destacado para cobrir o conflito, envolve-se num problema com um oficial japonês, que lhe pode custar a vida, já que é desafiado para um duelo. Entretanto, conhece Rasputine, desertor do exército russo, que, ironicamente, lhe salva a vida. Rasputine acaba por escapar com a ajuda de Corto, que na altura não entendeu bem que personalidade tinha pela frente. Viria a fazê-lo mais tarde. Este é portanto mais um belo álbum da colecção Corto Maltese, muito bem tratada pela Meribérica-Liber. “A Juventude de Corto Maltese” recomenda-se a todos aqueles que são fãs do herói de Hugo Pratt, ou, simplesmente, amantes de boa banda desenhada.

Edições 70 lançam “O Terror Espectáculo – Terrorismo e Televisão” e “O Século XX Esquecido”

seculoxx1terror_espectaculo1As Edições 70 lançaram em Março “O Terror Espectáculo – Terrorismo e Televisão”, de Daniel Dayan, “O Século XX Esquecido”, de Tony Judt, e “O Prazer do Texto precedido de Variações sobre Escrita”, de Roland Barthes.

“O Século XX Esquecido” fala das aceleradas mudanças da última geração que nos levaram a esquecer as lições da história do séc. XX, que se tornou «história» num rácio sem precedentes. Segundo o autor, o mundo de 2007 é tão diferente do de 1987 que perdemos contacto com o nosso passado imediato mesmo antes sequer de termos noção dele. Tony Judt transporta-nos entre aquilo que pensamos que sabemos para nos mostrar como chegámos a saber, e revela-nos quantos aspectos da nossa história foram sacrificados em benefício da construção de mitos sobre a compreensão da identidade colectiva sobre a verdade e da negação sobre a memória.

Tony Judt nasceu em Londres em 1948 e é actualmente professor

de Estudos Europeus da Universidade de Nova Iorque.

Outra das novidades de Março das Edições 70 é “O Terror Espectáculo – Terrorismo e Televisão”, de Daniel Dayan. Nesta obra é abordado o comportamento da televisão face às versões contemporâneas do terrorismo. O terrorismo é aqui um transformador da nossa compreensão do jornalismo e da imagem. E lança a pergunta: “Onde é que tem verdadeiramente lugar um acontecimento terrorista?” A localização de um acontecimento terrorista é, antes de mais, a da esfera pública onde ele realizará a sua vocação mensageira. O terrorismo e os media de imagem são com efeito os coprodutores de um dos grandes géneros discursivos contemporâneos. Segunda consta da apresentação desta obra, “ao invés de condenar o terrorismo, a televisão concede-lhe uma publicidade sem a qual ele não existiria. Esta parceria forçada traduz-se pela emergência de uma nova retórica. Existe uma ligação directa entre a ligeireza das câmaras vídeo e a difusão dessas inovações que são os atentados suicidas e as decapitações ritualizadas.”

As Edições 70, em simultâneo com a nova edição de “O Prazer do Texto”, e no mesmo volume, publicam pela primeira vez “Variações sobre a Escrita”, de Roland Barthes, linguista, crítico, teórico da literatura e semiólogo.

Nestes textos concebidos entre 1971 e 1973, Barthes descreve, ao longo da história da humanidade, o processo da evolução da escrita, desde o signo, gravado ou pintado, até à composição do texto, da emergência da leitura e do leitor, e do prazer de ler.