“O Atlas Furtivo” – Alfred Bosch

atlasfurtivogrJudafá, um rapaz judeu nascido na Maiorca de 1370, é o protagonista/herói de “O Atlas Furtivo”, romance histórico e de aventuras escrito pelo catalão Alfred Bosch e editado pela Livros do Brasil.
O seu pai, o cartógrafo Cresques de Abrãao, recebeu uma importante encomenda do Rei de Aragão: desenhar o mais completo mapa-mundo de todos.
Cresques, um homem culto e ávido de novos conhecimentos, aceita a tarefa, mas vai mais longe e lança-se num desafio tremendo. Paralelamente ao mapa-mundo para o rei elabora um outro, onde coloca dados não comprovados, ou seja, desenha terras das quais só se ouviu falar e sorve esses dados em marinheiros, viajantes, comerciantes, ajudado pelos dois filhos, entre eles Judafá, e um órfão que acolheu em sua casa, o dúbio Samuel.
O maior contributo para o mapa veio de um velho e cego escravo resgatado pelo mestre Cresques. O cego tinha viajado por todo o mundo, por terras desconhecidas, e mesmo sem ver conseguiu reter a essência dos locais por onde passou.
Quando os mapas ficaram prontos, Judafá, acompanhado por Samuel (para seu desgosto), embarca rumo a Barcelona para entregar a encomenda ao rei. Só que, ao chegar a Barcelona, enquanto dormia no barco, Samuel roubou-lhe o mapa, deixando Judafá numa situação bastante incómoda. Através da sua demanda pela recuperação do atlas fantástico idealizado pelo pai, acompanhamos o crescimento, enquanto homem, de Judafá, ao mesmo tempo que o autor nos apresenta um mundo onde os judeus, conforme os sabores das marés da fortuna, eram encarados como os amigos ideais ou os inimigos a abater, lançando indefinições internas no próprio protagonista do livro.
“O Atlas Furtivo” acaba por se transformar, ele próprio, num atlas como o que Cresques idealizou, já que nos faz, através de algumas personagens muito ricas, detalhadas descrições de lugares com tanto de longínquo, à época, como de sedutores.
A obra de Bosch é um verdadeiro três em um: conta-nos a história de um rapaz que se faz homem, de um povo (judeu) que sofre e tem de se sujeitar aos caprichos da Igreja dominante e faz um retrato do mundo desconhecido e fascinante, não só para Judafá e seus contemporâneos, como para nós, leitores, que nos sentimos transportados para outra época, onde havia ainda lugar para o belo desconhecido.
Esta obra ganhou em 1997 o Prémio Sant Jordi, um dos mais importantes galardões literários de Espanha.

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