O Nascimento de James Bond – 007

01f/29/arve/g1942/029casino_royl-1-edicao3James Bond apareceu há 56 anos no mundo literário pela mão de Ian Fleming (foto ao lado). Conta John Pearson, um dos biógrafos de Fleming, que o agente secreto veio ao mundo no dia 15 de Janeiro de 1952. Esse terá sido o dia em que foi criado 007, personagem do livro “Casino Royale”, obra acabada de escrever a 18 de Março desse ano (capa da primeira edição na imagem acima). Quando concebeu esta história Fleming vivia na Jamaica, numa espécie de exílio dourado.

Logo nas primeiras páginas de “Casino Royale” (que só viria a ser oficialmente transposto para o cinema em 2006) surgem os traços de personalidade que haveriam de acompanhar James Bond para o resto da vida: um homem de olhar frio, sempre ao volante de bons carros (no caso um Bentley 4.5, de 1933), amante de champanhe, martini e bons cigarros e portador de uma arma discreta e eficaz. Por fim, um homem sempre acompanhado por mulheres bonitas.

Ian Fleming casou poucos dias depois de criar 007 e mais tarde enviou o manuscrito a um amigo, William Plomer, poeta que trabalhava na editora Jonathan Cape Ltd. Plomer gostou do que leu e a editora comprou os direitos do livro. Fleming não podia estar mais satisfeito, afinal tinha deixado o seu emprego (nos serviços secretos britânicos) para se dedicar a cem por cento à tarefa de escrever a melhor de todas as histórias de espiões, e as coisas estavam a resultar.

Fleming tinha sido também jornalista da Agência Reuters antes da II Guerra Mundial e foi aí que aprendeu a escrever com precisão e concisão, duas características dos livros de 007.

As críticas a “Casino Royale” foram favoráveis e Fleming deu seguimento à série com “Live and Let Die” (“Vive e Deixa Morrer”). A seguir começou a trabalhar como colunista no Sunday Times, função que lhe permitiu somar ideias, novidades e teorias, aptas a serem usadas nas aventuras de 007.

Moonraker” e “Diamonds Are Forever” foram de seguida grandes sucessos de vendas no Reino Unido e nos Estados Unidos. Mas o boom surgiu com “From Russia With Love”, uma obra muito detalhada onde eram descritos pormenorizadamente os métodos de trabalho dos serviços secretos soviéticos. Ao sucesso de vendas aliou-se o sucesso junto da crítica e o escritor pôde contar ainda com a “mãozinha” do presidente norte-americano John F. Kennedy. É que JFK incluiu “From Russia With Love” na sua lista de dez livros preferidos de 1961.

Fleming, que sofreu um ataque de coração em 1961, antes de morrer em 1964, ainda editou “Dr. No” (“Agento Secreto”), “Goldfinger”, “For Your Eyes Only”, “Thunderball”, “The Spy Who Loved Me”, “On Her Majesty’s Secret Service”, “You Only Live Twice”, “The Man With de Golden Gun” e “Octopussy”.

Mas o agente secreto 007 não “morreu” com Fleming e outros autores deram continuidade às aventuras de James Bond. Kingsley Amis, Christopher Wood, John Gardner, Raymond Benson e agora Sebastian Faulks foram escritores que herdaram Bond, embora em alguns casos os romances tenham nascido dos argumentos criados para os filmes.   

Os herdeiros de Fleming

Antes de a Fundação Ian Fleming ter contratado Sebastian Faulks (um autor já consagrado) para escrever “A Essência do Mal”, o escritor ao serviço de James Bond era Raymond Benson, que, nomeadamente, assinou “Morre Noutro Dia”, uma edição das Publicações Europa-América.

A Europa-casino-bico-pena1América foi, aliás, durante largos anos, a responsável pela edição portuguesa das obras de 007, Assim, só de Benson lanço “O Mundo Não Chega”, “O Amanhã Nunca Morre”, “Os Factos da Morte” e “Nome de Código: Filhos do Apocalipse”. Estes dois últimos não foram transpostos para o cinema.

John Gardner é outro dos autores presentes no catálogo da Europa-América através de uma vasta obra composta na sua maioria por livros que não foram feitos a pensar na sétima arte. “De Novo Ordem para Matar”, “Scorpius”, “Vencer Perder Morrer”, “Ice–Breaker”, “Garra Quebrada”, “Nunca Mandem Flores”, “Goldeneye” e “Operação Mar em Chamas” são alguns dos títulos disponíveis.

Ultimamente, a Bico de Pena começou a lançar em Portugal as obras do próprio Ian Fleming e depois de ter arrancado com “Casino Royale” (imagem em cima à esquerda), já editou “Vive e Deixa Morrer” e “O Agente Secreto”.

Mais sobre 007 no Porta-Livros:

https://portalivros.wordpress.com/2012/06/04/007-carta-branca-jeffery-deaver/

https://portalivros.wordpress.com/2010/04/22/quantum-of-solace-ian-fleming/

https://portalivros.wordpress.com/2010/03/08/contraponto-editou-quatro-livros-de-007-com-novas-capas/

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2 responses to “O Nascimento de James Bond – 007

  1. Muito legal a matéria, ótima mesmo!

    Agora, teve também o livro do James Bond Jr.; que pouca gente conhece; lançado em 1967…

    No mais, vocês poderiam ter colocado a relação completa dos livros; mas tudo bem!

  2. Só uma coisa: o artigo da Wikipédia não cita os “spn-offs”; como o livro sobre o sobrinho James Bond Jr., os livros sobre a juventude de James como o Jovem Bond; ou mesmo os livros sobre Os Diários da Moneypenny; por exemplo.

    Na Wikipédia em inglês, todos estes livros são citados, até a Wikipédia em espanhol (que também está incompleta) está bem mais completa do que a versão em português.

    Aliás, a Wikipédia em inglês cita inclusive os livros não-oficiais e/ou não-publicados, o artigo está completinho, quem quiser saber mais: http://En.wikipedia.org/wiki/James_Bond_Books e: http://Es.wikipedia.org/wiki/Libros_de_James_Bond

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