“As Areias de Sakkara” – Glenn Meade

sakkaraÉ um prazer ler um livro como “As Areias de Sakkara”, do irlandês Glenn Meade. Uma aventura à moda antiga passada em plena II Guerra Mundial, tendo por cenário o Egipto. Os condimentos perfeitos para um livro que mistura amizade, traição, espionagem, thriller e guerra.
Despretensioso, mas cativante, “As Areias de Sakkara”, lançado originalmente em 1999, tornou-se um best-seller internacional e chegou a Portugal pela mão da colecção “Suores Frios” da Livros do Brasil. Aliás, esta colecção teve como número 1 “O Testamento de Brandeburgo”, do mesmo autor.
A acção arranca no presente, no Cairo, onde o velho norte-americano Harry Weaver tenta perceber se um corpo que apareceu no Nilo é o do seu amigo Jack Halder: Interrogado e “picado” por um jornalista, acede a contar quem foi na realidade Halder, tido por um agente nazi que operou no Cairo em 1943. Weaver faz então um regresso ao passado, a 1939, quando estava no Egipto, na altura bem longe de perceber e sentir no que se iria transformar o crescimento do nazismo.
Weaver e o seu amigo Halder participavam em umas escavações num sítio arqueológico em Sakkara, perto do Cairo. Jack Halder era um playboy americano de ascendência alemã e Harry seu amigo de infância, tendo sido ajudado financeiramente nos estudos pelo pai Halder.
Juntos partiram para as escavações e ambos se apaixonaram por Rachel Stern, uma arqueóloga judia. No entanto, não quiseram estragar a amizade por causa de Rachel, mas tal nem poderia acontecer porque a intensidade da guerra cresceu de forma assustadora e cada um seguiu o seu destino. Quatro anos depois, a vida de todos já tinha sofrido profunda alteração. Halder tornou-se um espião alemão, Rachel foi enviada para um campo de concentração e Weaver dedicou-se aos serviços secretos dos Aliados.
É em 1943 que decorre o essencial da acção de “As Areias de Sakkara”. Os alemães, desesperados pelos retrocessos sofridos no terreno de guerra, só têm uma saída: tentar uma missão espectacular, que consiste em assassinar Winston Churchill e Franklin D. Roosevelt, que se vão reunir secretamente no Cairo. Halder é praticamente obrigado a participar na missão, o mesmo se passando com Rachel, a sua antiga paixão, que ele julgava há muito morta. Do lado dos Aliados, apercebem-se que os nazis preparam um golpe em grande e Weaver participa nas investigações.
Meade conduz com mestria o desenrolar da acção, os esforços paralelos mas antagonistas de antigos amigos, em “duelo” uns com os outros, mas sem o saberem, criando no leitor grande expectativa quanto ao inevitável reencontro e às suas consequências, para a guerra e para a velha amizade.
O leitor não sente o passar das mais de seiscentas páginas, agarrado não só pelo enredo, mas também pelas excelentes descrições do quotidiano de guerra na paisagem árabe do Egipto feitas por Meade. O deserto, o Cairo eternamente caótico, as pequenas aldeias, a que se juntam emocionantes combates, perseguições de avião, tudo resultando numa aventura cativante e bem escrita.
Não é obra, claro, para levar o autor a ganhar um Nobel, mas tem tudo para agradar a quem gosta de uma boa aventura ou de histórias de guerra. A mistura que Glenn Meade faz de factos reais com os saídos da sua imaginação é outro dos grandes dotes de “As Areias de Sakkara”.

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