“O Império dos Lobos” – Jean-Christophe Grangé

imperio-lobosJean-Christophe Grangé é considerado um dos mestres do suspense em França, mas este título deveria ser extensível ao resto da Europa já que o francês consegue, a cada livro, surpreender os leitores sem ter de recorrer a artifícios demasiados rocambolescos.
Autor de thrillers notáveis como “O Voo das Cegonhas” e “Rios de Púrpura”,Grangé propõe desta vez “O Império dos Lobos”, cuja história decorre em Paris, mas que tem por base a comunidade turca, nomeadamente o seu lado mais obscuro.
O livro começa com duas histórias paralelas que, por si só, dariam dois bons enredos.
Por um lado, o inspector Paul Nerteaux investiga um misterioso caso que envolve o assassínio de três mulheres de origem turca, todas clandestinas. Os corpos foram encontrados mutilados de forma terrível. Nerteaux, com dificuldade em resolver sozinho o caso, vai pedir ajuda a um polícia reformado, Jean-Louis Schiffer, conhecido pelos métodos pouco ortodoxos que utilizava ao serviço da lei.
Por outro lado, Grangé apresenta-nos Anna, uma mulher com graves perturbações psicológicas que, aos poucos, vai descobrindo factos que haviam desaparecido da memória.
É óbvio que desde o início sabemos que estas duas histórias se vão cruzar, mas é inegável que acompanhamos as duas com interesse até à fusão, num argumento onde o protagonismo pertence à máfia turca.
Tal como é hábito, Grangé faz excelentes descrições dos ambientes que se atravessam no caminho das personagens, nomeadamente o “mundo” turco parisiense. As personagens são também bem construídas e a sua personalidade reforçada com recurso ao flashback.
Como curiosidade, refira-se que num dos flashbacks de Nerteaux há uma referência a Portugal, quando recorda uma relação da juventude da qual resultou a sua única filha. Os tempos idílicos foram passados em Portugal.
De regresso a Paris… é de destacar que as duas histórias confluem na hora certa, com o escritor a fazer revelações importantes no meio de muita acção e investigação, mas sempre lançando novos dados para continuar a prender o leitor.
Aliás, Grangé é mestre em saber prender a atenção, doseando bem a informação, sem nunca parecer que está a forçar algo, seja para durar mais tempo o enredo, seja para resolver algum problema mais intrincado.
Como nas suas outras obras, tem a lição bem estudada, ou seja, documentou-se sobre o que escreveu. A descrição que faz dos Lobos Cinzentos, extremistas de direita turcos e depois transformados em máquinas assassinas a soldo, ou as projecções de como funciona o mundo dos serviços secretos e dos projectos e experiências sigilosas do Estado (estilo X-Files) demonstram o total domínio dos temas eleitos.
É notório que domina também o enredo, levando-nos por caminhos inimagináveis, mas verosímeis e sustentados, numa constante toada de surpresa, por vezes atordoante.
Para ler atentamente até à última linha.

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