“Anjos e Demónios” – Dan Brown

bert-anjos_demoniosDan Brown, norte-americano autor de “O Código da Vinci”, já antes havia escrito “Anjos e Demónios”, romance cuja acção decorre quase integralmente no Vaticano e que se revelou igualmente um tremendo sucesso de vendas.
É certo que muito deste êxito decorreu, em Portugal, do fenómeno “O Código Da Vinci”, mas quem gostou do romance que apresenta uma nova “versão” para a vida de Cristo de certeza que não fica defraudado com “Anjos e Demónios”, editado pela Bertrand.
As “muletas” utilizadas por Dan Brown são exactamente as mesmas: a religião por pano de fundo, um ritmo alucinante (quase cinematográfico – aliás, está aí a chegar a versão de cinema, de novo com Tom Hanks), uma boa intriga e surpresas suficientes para deixar o leitor “eternamente” preso à obra.
“Anjos e Demónios”, que tem por protagonista o simbologista norte-americano Robert Langdon (o mesmo de “O Código da Vinci”), recupera uma organização secreta e supostamente extinta, a Illuminati, que conspira contra a Igreja Católica, a sua inimiga mortal.
Esta organização será a responsável pela morte de um cientista do CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire), centro de pesquisa situado na Suíça, que acabou de descobrir o modo de fabricar antimatéria, forma de energia que recentes teorias da física apontam como tendo estado presente na criação do universo. O cientista assassinado era também um devoto religioso e procurava encontrar a ponte entre a ciência e a religião, duas áreas que desde há séculos percorrem caminhos antagónicos. Mas, a sua descoberta acaba por ser roubada e utilizada pelos enigmáticos Illuminatti como arma para fazer explodir o Vaticano, eliminando assim o maior símbolo da Igreja Católica. O objectivo é levar a ciência a derrotar definitivamente a religião, uma vingança por atitudes da Igreja como as que teve, por exemplo, contra Galileu.
A história decorre a um ritmo trepidante, com capítulos estrategicamente pequenos, de forma a não deixar que o leitor se distraia nem tenha vontade de parar de ler.
Entra de rompante com o crime do cientista e em poucas páginas já temos Langdon na Suíça, para onde foi chamado por ser um expert em simbologia – no corpo do cientista estava gravado a fogo um ambigrama que Langdon teve dificuldade em aceitar: a palavra Illuminati. Incrédulo, custa-lhe a crer que sejam na verdade elementos da sociedade da qual deixaram de existir vestígios. Mas, de pista em pista, Langdon, acompanhado pela filha do assassinado (Vittoria Vetra), também ela cientista, viaja rapidamente para o Vaticano, onde a Illuminati prepara um grande atentado, precisamente no momento em que está a ser feita a escolha de um novo papa. Mas… os quatro cardeais favoritos foram raptados e são o instrumento inicial da vingança dos defensores radicais da ciência.
Langdon e Vittoria, com a ajuda da Guarda Suíça e do camerlengo, o cardeal que mais perto está de um papa, tentam numa corrida contra-relógio travar o plano dos Illuminati. Seguem pistas através de obras do escultor e arquitecto Gian Lorenzo Bernini, autor, no século XVII, de diversas igrejas no Vaticano e tido como membro dos Illuminati. Langdon e companhia não conseguem evitar todas as armadilhas do inimigo.
No meio desta história intrincada, mas fácil de seguir, Dan Brown lança elementos para uma reflexão sobre o actual papel da Igreja Católica no mundo, assim como da Ciência, abrindo pistas para novos rumos que cada uma destas áreas pode seguir para melhor servir a Humanidade.
Só uma mente menos aberta pode ver neste livro material de ataque à Igreja.
Dan Brown recorre a uma escrita clara e concisa, que permite que mais facilmente se siga o enredo bem trabalhado e coerente, mesmo quando surgem grandes e agradáveis surpresas no final.
Para além disso, há ainda tempo para descobrir alguns segredos do Vaticano (cidade e instituição), que palmilhamos em ritmo de corrida atrás dos temíveis Illuminati.angelsanddemons_1

Um pensamento sobre ““Anjos e Demónios” – Dan Brown

  1. carlos

    Trepidante, como todos os livros de Dan Brown.
    Curiosamente, como acontece com quase todos os livros que leio, não tive qualquer interesse em ver o filme.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.