“A Planície em Chamas” – Juan Rulfo

planicie1Juan Rulfo, escritor mexicano com uma curta produção literária, não precisou de mais de duas obras (uma novela, “Pedro Páramo”, e um livro de contos, “A Planície em Chamas”) para se tornar um dos nomes maiores da literatura mundial.
“A Planície em Chamas” (Cavalo de Ferro) é uma obra composta por dezassete duros e sofridos contos, onde impera a pobreza e o sofrimento, em cenários repletos de sol, de pó, de aridez e de ambientes de trevas. É no fundo o ambiente onde Juan Rulfo viveu, dado ter nascido em 1918 na árida e pobre província de Jalisco.
Assim, nestes 17 contos, editados pela primeira vez em 1953, descreve, como explicou, a devassidão humana e geográfica.
“Luvina” é o conto que melhor sintetiza estes elementos. Trata-se de um diálogo entre dois homens, no qual um explica ao outro o que vai encontrar “lá em cima, em Luvina”. É uma terra afastada de tudo, no alto de um monte, “amaldiçoada por essa pedra cinzenta”. Em Luvina não se passa nada e só há pobreza, mas ninguém de lá sai porque não quer deixar ficar os mortos, a única coisa que lhes resta.
É assim, ao longo de “A Planície em Chamas”. Pessoas despojadas de tudo, mas principalmente de esperança. São personagens que carregam um fardo de um passado de sofrimento, ao qual não querem ou não podem escapar.
“E a mim vem-me à cabeça que já caminhámos mais do que aquilo que andámos”, diz a certa altura uma das personagens de “Deram-nos a terra”, e esse é o melhor exemplo da impotência das gentes que povoam as histórias de Rulfo. É a sensação de que não vale mais a pena caminhar. Mas, as gentes criadas por Rulfo são resistentes, não desistem enquanto restar um pouco de forças, seja a desafiar a Natureza ou os próprios senhores das terras onde são explorados. São, contudo, pessoas que bastas vezes se tornam cruéis e se sentem desculpadas pelos tormentos entretanto vividos, conscientes que nunca o Paraíso será delas.
Com uma escrita realista que convenceu consagrados como Gabriel García Marquez e Jorge Luís Borges, Rulfo leva-nos por caminhos duros e pedregosos, e é à custa de muito esforço, mas ainda com mais gosto, que atravessamos as suas linhas e páginas.
Juan Rulfo morreu em 1988, depois de dar a conhecer um escrita inovadora que fundou o realismo mágico.

Um pensamento sobre ““A Planície em Chamas” – Juan Rulfo

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