Scot Harvath, protagonista de O Primeiro Mandamento e O Último Patriota, é de novo o herói escolhido por Brad Thor para o seu thriller de espionagem O Apóstolo (uma edição Bertrand). O romance, mesmo não estando ao nível dos de David Ignatius e de alguns de Daniel Silva, cumpre perfeitamente a sua missão pouco secreta que é a de entreter um público que pretende um bom entretenimento em forma de livro. Eu faço orgulhosamente parte desse público que procura um livro com acção, trepidação, mistério, intriga internacional, etc, e fiquei deveras satisfeito com a leitura de O Apóstolo. Thor sabe utilizar e dosear bem os condimentos do thriller de espionagem e desta vez usou-os numa aventura centrada no Afeganistão, cenário que conhecemos (pelo menos a maioria) da televisão e da imprensa e onde aqui mergulhamos um pouco mais fundo através da ficção, sem dúvida fortemente inspirada na realidade – sem dúvida de que o facto de o autor ter trabalhado no Departamento de Segurança Interna lhe permitiu obter os dados necessários para preencher com riqueza esta obra.
Harvath, apesar de relutante, aceita a missão de resgatar, no Afeganistão, a filha (médica) de uma assessora do presidente dos EUA, que foi feita refém dos talibã. Thor dá grande destaque à preparação da operação de resgate levada a cabo pelo protagonista já no terreno, socorrendo-se este de uma série de ajudas de pessoal colocado no terreno, e nem sempre através dos meios oficiais. Para obter uma maior celeridade e eficácia, obrigatórias neste caso, recorre ao “mercado paralelo” dos serviços de segurança. A descrição minuciosa dos preparativos permite “ver” como funcionam as coisas num país caótico como o Afeganistão. Este “retrato” estende-se, além do já citado mundo da guerra em todas as suas vertentes, ao quotidiano dos afegãos, tanto na sua vida rotineira como no complexo equilíbrio das relações com talibãs e forças externas.
Após esta parte mais descritiva, o romance entra na sua secção mais “thriller”, com a operação de resgate propriamente dita, que decorre, como seria de esperar numa obra desta índole, com um ritmo trepidante que sem dúvida compensará a “lentidão” do resto de O Apóstolo, que poderá não ser muito bem aceite por quem só procura acção e não pretende enquadrar-se devidamente com os cenários onde está inserido o romance.
Autor: Brad Thor
Título original: The Apostle
Editora: Bertrand
Tradutora: Marta Teixeira Pinto
Ano de Edição: 2011
Sinopse: «Scot Harvath é um homem com uma missão: resgatar a filha de uma assessora do presidente dos Estados Unidos. Com relutância, viaja para um Afeganistão dilacerado pela guerra na tentativa de conseguir recuperar a refém.
Brad Thor, ex-membro do Departamento de Segurança Interna, transporta-nos com a mestria da sua escrita numa viagem intensa e envolvente onde se revela o quotidiano dos talibãs e as suas tradições em confronto com o mundo ocidental, também ele marcado por contradições e particularidades.
“Da guerra que a nação americana trava contra o terrorismo emergiu uma nova casta de agentes. Completamente dedicados à sua arte, ignoram os suplícios e as dificuldades da sua profissão e trabalham incansavelmente com apoios limitados e burocracias exacerbadas para atingirem um só objectivo – o êxito das suas missões.
Anteriormente chamados ‘crentes fervorosos’, este termo já não se lhes aplica. Estes guerreiros transformaram-se em apóstolos.” »