A Porta dos Infernos, do francês Laurent Gaudé (editado entre nós pela Porto Editora), é, sem dúvida, um dos livros do ano. O escritor, que já antes nos brindara com O Sol dos Scorta e Eldorado, dá mais um passo em frente na sua carreira com esta descida aos Infernos. O fantástico entra na sua obra, o que nos permite uma verdadeira viagem aos Infernos, um Inferno imaginado por Gaudé mas com um ambiente tão real que não pode deixar de nos impressionar.
Este é um livro que deixa marcas profundas no seu leitor, e não só pelos seus cenários dantescos. O ponto de partida é a morte acidental de um rapaz de seis anos, apanhado no meio de um tiroteio de mafiosos na Nápoles de 1980. Pippo morre nos braços do pai, impotente para o proteger, apanhado de surpresa que foi num dia até então absolutamente vulgar. O efeito da morte do filho é devastador, tanto nele como na mulher, Giuliana, que acaba por não perdoar ao marido que ele tenha sido incapaz de perpetrar uma vingança contra o autor dos disparos.
Atormentado pela morte de Pippo, e rodeado por um grupo de amigos cada qual o mais bizarro, Matteo abre uma das Portas do Inferno, a existente precisamente em Nápoles, e de lá resgata o seu filho, não se importando com o custo desse acto. A descrição da descida de Matteo às profundezas da Terra (e do espírito) é o momento mais poderoso do romance de Gaudé, que, com as palavras certas, descreve um Inferno sombrio, aterrador, opressivo, sufocante.
A acção decorre alternadamente entre 1980 e 2002 e é só neste último ano que tudo tem um desfecho, graças a Pippo (sim, o miúdo morto), desejoso de recuperar a harmonia familiar perdida na infância.
Tal como em outras das suas obras, Gaudé apresenta-nos pessoas levadas ao limite, ao extremo, nas suas vidas, só que desta vez sai do mundo do real. É um livro sobre a morte e a perda, onde os protagonistas tentam contrariar a inevitabilidade das mesmas.
A mensagem de A Porta dos Infernos só pode ser esta: morre quem é esquecido, e os mortos neste romance só desaparecem de vez quando esquecidos de vez. Entretanto, aguentam-se numa espiral de desespero, agarrados a qualquer lembrança que um vivo possa ter que os salve por mais alguns momentos do extermínio irremediável.
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Media Literatura
Já li o livro.
Lindo mesmo !!
Devorei-o em 3 dias , nao conseguia parar de ler.
Sem duvida , um dos melhores livros.
adorei,
gostei imenso de ler este livro e mesmo
muito interessante