Monthly Archives: Fevereiro 2009

“Tigre de Papel” – Olivier Rolin

tigre1Olivier Rolin resolveu passar à escrita aquilo que ele e os seus companheiros de luta e de causa viveram na “quente” época do Maio de 68. Daí surgiu “Tigre de Papel”, uma notável obra, de difícil leitura (é certo), mas cativante e envolvente, por nos levar a uma época (para muitos desconhecida por ser demasiado recente para entrar nos livros de História) que abalou a França e teve repercussões em todo o mundo, já de si muito agitado.
Rolin, romanceando factos ocorridos quando ele próprio, com o nome falso de “Antoine”, lutava contra o poder instalado, põe-se na pele de Martin. Este, um antigo combatente ao regime, já na actualidade, enquanto conduz um “boca-de-sapo” (símbolo da época), conta à filha do seu melhor amigo (Treize) como eram aqueles tempos. O carro vai circulando ininterruptamente pela periférica de Paris (uma espécie de VCI do Porto em grande escala) e Martin debita histórias, justificações, arrependimentos, falando tanto dos momentos gloriosos, como dos fracassos. Trata-se quase de um monólogo, já que a jovem pouco intervém – uma espécie de confissão. Martin (ou Rolin?) tenta deixar tudo explicado, bem claro, para talvez fechar assim um ciclo, ao mesmo tempo que alerta implicitamente para a apatia que se vive na sociedade de hoje em dia.
Quase sempre na primeira pessoa (excepto quando Martin fala para ele próprio) o romance decorre a um ritmo por vezes difícil de acompanhar, sentindo-se uma espécie de ansiedade do autor em contar/confessar tudo o que viveu e pensou.
Mas, fique claro, “Tigre de Papel” não busca o perdão.

Olivier Rolin – Entrevista a propósito de “Tigre de Papel”

rolinoO escritor e pensador francês Olivier Rolin em conversa sobre “Tigre de Papel” (Edições ASA), romance que funciona como testemunho de uma época que marcou França e o próprio autor: o Maio de 68. Visto por dentro, o Maio de 68 é contado pelo narrador à jovem filha de um amigo já morto. Uma lição de história em forma de romance.É por isso que não utilizou o seu próprio nome?
Sim, de qualquer forma é um romance, não havia nenhuma razão para não ser um romance. E na época eu tinha um nome falso, que era “Antoine”. Mas eu fiz como em geral se faz com um romance. O autor fala da sua vida, das pessoas que nela entraram, dos eventos por que passou e depois modifica-os.
Por vezes a personalidade do narrador parece dividir-se.
É sempre ele. Às vezes fala dele mesmo dizendo “tu”, outras dizendo “eu”. Às vezes é observador dele mesmo.
O livro é dedicado especialmente aos franceses? Para quem não viveu o Maio de 68 pode ser difícil de entender.
Não. Cada romance aborda um determinado período da História. Este fala do ano de 68 em França, mas espero que diga algo aos alemães, aos portugueses…
É uma espécie de lição de história?
Não é uma lição porque um romance nunca pode ser uma lição, mas é uma tentativa de fazer entender quais eram os ideais e os sonhos dos jovens da época.
Actualmente, em França, este período já aparece nos programas escolares?
Não. E este livro tem a pretensão de mostrar aos jovens o que aconteceu na altura. Mas objectivamente é muito difícil compreender o que aconteceu na época. Não foi uma revolução, mas as pessoas acreditavam que a faziam. É algo difícil de situar no tempo. A base é bastante difusa.
Nota-se nas personagens uma certa desilusão.
Há desilusão, mas eu prefiro a palavra ironia. Mas há também um sentimento de simpatia pelo passado.
No entanto, parece sentir-se que eles perderam algo da juventude?
Não acho. Não é um livro de arrependimento. Eles não pensam que perderam o seu tempo, foi um período de formação. Não sinto que tenha perdido a juventude.
Um momento marcante de “Tigre e Papel” é quando Treize vê o mar, onde parece perceber que há outras coisas na vida?
É verdade. Todo o que fosse relativo a divertimentos pessoais, ao amor, à poesia, à beleza, passava-nos ao lado.
O vosso tipo de luta era algo pacífico. Preferia que tivesse sido mais violento?
Eu pessoalmente teria gostado disso. Mas o que eu apreciava, mais do que a violência, era a ilegalidade. Em comparação com movimentos de outros países não éramos tão violentos, porque não matámos ninguém. Era muito importante o elemento Robin dos Bosques, os documentos falsos. Não era só a política, apreciávamos muito o elemento aventura.
Esta obra convida os leitores a discutir o assunto. Esse era o objectivo?
É um convite à discussão, à aprendizagem. No entanto, não quero ser tomado por alguém que tem lições políticas a dar. Escrevi um livro que aborda um período histórico, porque eu próprio tomei parte de forma intensa dessa época. Eu sou um escritor, um novelista, não um porta-voz de um antigo movimento político, de um antigo esquerdismo. Não quero ser o autor de um livro que faz um julgamento político. Cabe a cada um julgar por si. A minha intenção foi apenas mostrar o que aconteceu. A literatura permite-nos conhecer coisas que não fazem parte de nós.
Às vezes um romance ensina mais do que os próprios livros de História. Concorda?
Mais do que a História, um romance permite dar conhecer a verdade de uma época.
Acha que a juventude da actualidade não tem causas pelas quais lutar?
Cheguei a pensar assim. Mas, actualmente, com a globalização, há cada vez mais o renascimento de movimentos que se assemelham aos dos anos 60. Começa de novo a haver causas. Há dez anos a juventude estava muito despolitizada, mas agora nem tanto.
Este livro representa o fim de um ciclo na sua carreira?
Não penso regressar a este tema. Posso fazer alusões à época, mas sem ser o tema principal.

Esta obra é autobiográfica?
Bastante, mas de qualquer forma as histórias são inventadas. Nenhuma ocorreu exactamente como está descrita. Quase nenhuma personagem corresponde a uma personagem real. Parti de coisas que vivi e, como num romance, transformei, deformei.

 

(Entrevista realizada em 2003)

Saída de Emergência edita “Sangue Fresco”

sangue11A Saída de Emergência anunciou a compra dos direitos para a publicação da série “Sangue Fresco” em Portugal. O primeiro romance, “Morte ao Anoitecer”, chega às livrarias a 9 de Abril.

A série, no original intitulada “The Southern Vampire Mysteries”, é escrita por Charlaine Harris, que com os seus sete livros tem dominado o top do “New York Times”.

O sucesso desta série de livros levou Alan Ball (produtor de “Sete Palmos de Terra” e argumentista de “Beleza Americana”) a convertê-la em série televisiva com o nome “True Blood”, a passar actualmente em Portugal no canal Mov. Anna Paquin, que interpreta a protagonista, ganhou por este seu papel o Globo de Ouro para Melhor Actriz de televisão.

Booktailors lança “A Edição de Livros e a Gestão Estratégica”

edicao1A Booktailors lança em finais de Fevereiro “A Edição de Livros e a Gestão Estratégica”, de José Afonso Furtado. Este lançamento corresponde ao início de uma “biblioteca” que a Booktailors pretende construir alicerçada em obras destinadas a profissionais, investigadores e interessados no sector da edição e do livro.

Vem referido na sinopse do livro que “os conceitos de ‘edição de livros’ e de ‘gestão estratégica’ eram, até há não muitos anos, senão incompatíveis, pelo menos, dificilmente relacionáveis. (…) Com o advento de novos formatos, e face a uma redefinição total do sector livreiro e do mercado em que este se insere, os editores vêem-se confrontados com a imperiosa necessidade de repensar estratégias. Profusamente ilustrado com gráficos e diagramas, esta obra de José Afonso Furtado aprofunda as grandes transformações que a cadeia de valor do livro tem vindo a sofrer e contribui para repensar a forma como se tem vindo a produzir e a comercializar livros nestes primeiros anos do século XXI.”
O autor, José Afonso Furtado, é licenciado em Filosofia, trabalhou em diversos organismos governamentais na área da cultura. Entre 1987 e 1991 foi presidente do Instituto Português do Livro e da Leitura. Entre 1998 e 2007 integrou o Conselho Superior de Bibliotecas. Actualmente pertence à Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura, é director da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (desde 1992) e docente do curso de Pós-Graduação em Edição – Livros e Novos Suportes Digitais, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.
Já publicou obras como “O Que é o Livro”, “Os Livros e as Leituras: Novas Ecologias da Informação” e “O Papel e o Pixel: Do Impresso ao Digital – Continuidades e Transformações”.

Jesús del Campo – Entrevista a propósito de “As Últimas Vontades do Cavaleiro Hawkins”

jesus-campoJesús del Campo, escritor espanhol, viajante e filólogo, pegou na personagem Jim Hawkins, de “A Ilha do Tesouro”, e deu-lhe um futuro, imaginou-lhe uma vida em “As Últimas Vontades do Cavaleiro Hawkins”, lançado em Portugal Ambar. Del Campo revelou ser um escritor que quer devolver a felicidade ao enredo das obras literárias e fá-lo de um modo sublime neste romance que respeita a tradição das histórias de aventuras, mesmo sendo uma obra inovadora.

 

Como surgiu a ideia de pegar numa personagem já existente em outros livros e dar-lhes continuidade?

Todas as personagens são novas, excepto Jim Hawkins, que é o único sobrevivente de “A Ilha do Tesouro”. O livro é uma metáfora da vida. A pousada do Almirante Benbow é uma metáfora da vida, um local de passagem. Há sempre gente a chegar e a partir. As pessoas chegam à nossa vida, ficam algum tempo e logo vão embora. Isso é uma metáfora do conhecimento humano porque é assim que aprendemos a conhecer a vida.

Porque escolheu o Jim Hawkins para personagem?

Por muitas razões. Em primeiro lugar, acho incrível que na literatura contemporânea se tenha renunciado à felicidade. Não há finais felizes, nem situações felizes. O leitor contemporâneo está totalmente familiarizado com o desastre, com a tragédia com a perda: assassinatos, psicopatas, crimes. Pior, isso parece-nos credível. Jim Hawkins é o contrário, representa a possibilidade de que algo na vida termine bem, com algum dinheiro, a possibilidade de iniciar uma nova vida com independência, com novos amigos, num local seguro, numa nação poderosa. Desse ponto de vista, Jim Hawkins é um desses símbolos literários que te deixam a tentação de pensar: esse tipo terá sido capaz de manter a felicidade? O final feliz de “A Ilha do Tesouro” aguenta-se quanto tempo? Jim Hawkins é um desafio para se questionar se na literatura há lugar para a alegria e a felicidade.

Acredita que sim?

Penso que era Paracélsio que dizia: não há venenos, há doses. Não acredito numa felicidade intensa, mas podemos lutar por uma dose de felicidade. Temos o direito e o dever de lutar por ela. Muitas vezes esquecemo-nos disso, aceitamos que a vida é dura e nem se dá por isso.

Porque é que os espanhóis não tiveram uma presença mais importante na obra?

JC: Quis simbolizar que naquela altura a única forma espanhola de estar no mundo era abandonar o país. Na segunda metade do século XVIII nota-se de uma forma muito dramática que Espanha não se pode incorporar nas grandes correntes do Iluminismo e do Racionalismo europeu. Há um grupo de gente que tenta, mas são minoritários. Por isso a sua presença no livro é fugaz, é como uma sombra, são exilados.

Não tinham nada para contar?

Têm, mas estão numa atitude taciturna pela condição de exilados e de observadores e não quis que contassem mais estórias para sublinhar o carácter enigmático.

Acha que Robert L. Stevenson iria gostar de ler este livro?

JC: (Risos)… Em primeiro lugar Stevenson não partiu do zero, vivia num país com uma forte tradição de narração oral. De certeza que desde criança ouviu muitas estórias de marinheiros, piratas, naufrágios, e “A Ilha do Tesouro” é uma herança de algo anterior. Suponho que de certo modo o que tentei aqui foi alargar o clube de pessoas que gostam da aventura. Continuar essa tradição.

E se um escritor fizesse uma obra a partir de uma personagem sua, ia ter curiosidade de a ler?

Ah, claro. Porque não? Na realidade a vida também é isso, fazêmo-lo constantemente. Alguém me conta uma estória, lembro-me dela e volto a contá-la e aprendemos com essa estória. Seria divertido.

Este é um livro de contos embrulhado num romance?

Está correcto. Quis manter dois planos: que as histórias fossem autónomas e ao mesmo tempo que as pessoas que contam essas estórias tivessem as sua próprias peripécias, a sua experiência pessoal.

Todas vão de um local ao outro. Entretanto, quero que se passem coisas e que o narrador tenha uma experiência pessoal.

Onde foi buscar inspiração para cada uma dessas histórias?

Basta um qualquer detalhe, uma canção, uma imagem de um filme, um passeio junto ao mar, para se pensar: o que se passou aqui há muitos anos? Basta um flash de imaginação para partir do zero e começar a tirar, a tirar, a tirar…

Há poucas mulheres no romance, apesar de preponderantes no desenrolar da acção, e quase nunca contam estórias.

Acho que as mulheres no mundo das aventuras são tão poderosas que há que dosear a sua presença com cuidado, senão o amor transforma-se numa força demasiado poderosa. Neste mundo do risco tenho a preocupação que a mulher tenha uma presença latente e significativa, mas que não invada demasiado os afectos. Em toda a aventura há que combinar a acção e a reflexão. Se Hawkins reflecte demasiado pela sua amada, a acção pode ficar esquecida demasiado tempo.

Hawkins parece viver um pouco das aventuras e dos riscos dos outros?

Depois de uma aventura na infância em que conhece Long John Silver e passa por tantos perigos e acaba bem, pensei que numa época tão curiosa para a cultura, com tantos clubes e tertúlias (toda a gente estava orgulhosa do seu conhecimento) era possível um Hawkins contemplativo e desconfiado em relação a um segundo risco.

Este livro também serve para contar um pouco da História da Europa?

É como um retrato de época. Tem o terramoto de Lisboa, as guerras da Prússia e entre ingleses e escoceses e um monte de referências, mas não quero que seja só isso. Quero que através da evocação, o passado seja uma lição para a nossa vida, não apenas um simples exercício de contemplação.

O que o levou a optar pelo século XVIII?

No século XVIII surgiu uma coisa importantíssima: chegaram as máquinas. E, desde logo, as pessoas se questionam, com medo, se a imaginação vai acabar, se o mundo vai mudar drasticamente. Percebe-se que vai haver uma revolução em França, que os Direitos do Homem vão mudar o mundo, vai haver uma revolução na América. Então começa o homem moderno e quis investigar e demonstrar que as máquinas não acabaram com a imaginação, que basicamente continuamos a fazer o que faziam os nossos pais e os nossos avós: dançamos, sonhamos, amamos, desejamos, e sempre com êxito parcial, como Hawkins.

Há neste livro há um apelo claro à leitura.

Claro. Hawkins é membro de um clube, tenta recolher a mensagem de alguém e entregá-la a outras pessoas, porque percebeu que os livros ajudam a compreender o mundo.

Nunca colocou a hipótese de escrever um romance com a acção no presente ou no futuro?

O futuro é menos interessante. A ficção científica é menos interessante, engana-se sempre. Por exemplo, quando éramos crianças e líamos livros sobre o ano 2000 apareciam pessoas com antenas na cabeça, umas peças incríveis. Mas, afinal, vestimo-nos basicamente como então. Esses livros são mais especulativos e mais virados para a fantasia, mas acho que há uma diferença entre fantasia e imaginação. Eu trabalho com a imaginação.

O livro tem sido bem aceite?

Sim, até porque a “A Ilha do Tesouro “ é um clássico. Mas as pessoas pensam de uma forma errada que “A Ilha do Tesouro” é literatura juvenil. O mundo está tão louco que pensa que se algo acaba bem é juvenil. Está errado.

Há mais alguma personagem que gostasse de recuperar?

Agora quero deixá-los dormir em paz para que não me odeiem. Mas, acho que a função da literatura é essa, recordar às pessoas que os livros nunca terminam, são uma cadeia e há sempre algo que une um livro ao outro.

 

A obra

Luís Sepúlveda não poupa elogios a “As Últimas Vontades do Cavaleiro

Hawkins”, de Jesús del Campo, editado pela Ambar. É compreensível.

Esta obra, onde voltamos a encontrar Jim Hawkins, sobrevivente

de “A Ilha do Tesouro”, trata-se de um romance delicioso, contado de uma forma muito original. É um livro de avultimas-vontadesenturas, mas de um estilo diferente, porque é através dos sentidos do autor que as vivemos de uma forma essencialmente contemplativa. Hawkins, com a fortuna conquistada na Ilha do Tesouro, reabre a estalagem do almirante Benbow e dedica-se a receber hóspedes que tenham uma estória para contar. Assim, trata-se quase de um livro de contos, preenchido pelas estórias dos hóspedes, havendo ainda lugar para um amor doentio de Hawkins, que agora vive das aventuras dos outros e do prazer da leitura. Se na biblioteca dele pudesse constar Jesús del Campo, de certeza que seria um dos seus autores favoritos.

 

(Entrevista realizada em 2004)

“As Mulheres de Corto Maltese” – Hugo Pratt e Michel Pierre

corto2“Uma mulher em cada porto” é talvez a frase mais apreciada por qualquer marinheiro. O herói de banda desenhada Corto Maltese, apesar das suas características muito especiais, não escapa a esta tradição, quanto mais não seja devido ao charme que espalha por onde passa. E passou mesmo por muitos lados…
A Meribérica-Liber lançou em tempos o belíssimo álbum “As Mulheres de Corto Maltese”, uma viagem ao universo feminino do marinheiro solitário que tem a assinatura de Hugo Pratt (já falecido) e do historiador Michel Pierre.
Esta obra centra-se na análise das principais personagens femininas das histórias de Corto Maltese, através das quais temos uma ou várias visões muito peculiares do marinheiro.
O álbum, composto por textos, ilustrações (umas quantas inéditas) e algumas das vinhetas dos álbuns de Corto, tem uma estrutura simples, já que dedica um capítulo a cada uma das mulheres.
Numa entrevista disponibilizada pela editora, Michel Pierre, que trabalhou com Pratt na elaboração desta obra, explica como surgiu a ideia: “Era quase obrigatório falar das mulheres que marcaram a sua vida. Estas personagens estão entre as mais perturbadoras que algum criador jamais fez nascer, sobretudo com desenhos tão sublimes. Então, aproximei-me delas com a cumplicidade do seu autor e o livro desenvolveu-se naturalmente”.
Um dos aspectos mais fascinantes de “As Mulheres de Corto Maltese” é que na descrição de cada uma das personagens femininas se misturam elementos ficcionados com outros reais, ou seja, “elas” são enquadradas e misturadas em determinados momentos históricos, como se tivessem mesmo feito parte da realidade.
O álbum está recheado de cartas onde as mulheres falam de Corto directamente, ou, tratando de outros temas, relatam os seus encontros com o misterioso marinheiro, que em todas deixou uma marca indelével.
“As Mulheres de Corto Maltese” é, simultaneamente, uma espécie de viagem à História do início do século XX (é sempre feito um enquadramento da época) e um livro de viagens, tal a diversidade de paragens por onde Corto espalhou o seu charme e o seu mistério. De Veneza à Irlanda, da China ao Saara, passando por Hollywood, Petrogrado, Etiópia, etc, etc, etc.
Como frisou Michel Pierre, “Corto Maltese é sem dúvida um dos heróis mais sedutores da banda desenhada. E sem mulheres faltar-lhe-ia realmente uma razão de existir”. Pandora, Soledad, Banshee, Morgana, Madame Java, Boca Dourada, Xangai-Li são apenas algumas das razões de existir de Corto Maltese.

Ondjaki apresenta “Materiais para Confecção de um Espanador de Tristezas” a 25 de Fevereiro, em Lisboa

ond-materias1A Livraria Pó dos Livros (Avenida Marquês de Tomar, 89, Lisboa) vai acolher no dia 25 de Fevereiro (quarta-feira) a sessão de apresentação do mais recente livro de poesia de Ondjaki, intitulado “Materiais para Confecção de um Espanador de Tristezas”.

A sessão vai ter lugar às 18h30 e conta com a presença de Ondjaki, que vai conversar sobre a sua nova obra, editada pela Caminho.

Apresentação de “E Agora, Obama” a 28 de Fevereiro, no Porto

obama_big1A obra “E Agora, Obama?”, da autoria de Carlos Santos (professor de Economia na Universidade Católica) e editada pela Esfera do Caos, vai ser apresentada no dia 28 de Fevereiro (sábado) ao meio-dia na livraria Leitura Books & Living, no Shopping Cidade do Porto.

A apresentação estará a cargo do Prof. Dr. Alberto Castro, director do Centro de Estudos em Gestão e Economia Aplicada da Universidade Católica.  

A questão em cima da mesa será: a vontade, as políticas e a visão estratégica de Barack Obama serão suficientemente poderosas para vencer os desafios do presente?

Novidades Presença (2.ª Quinzena Fevereiro)

60130053_coraline_e_a_20porta_secretarl2natalia21A Presença acaba de lançar mais um pacote de novidades, onde se incluem “Natália”, o novo romance de Helder Macedo, “Trópico de Capricórnio”, de Henry Miller, e o relançamento de “Coraline e a Porta Secreta”, de Neil Gaiman, aproveitando a chegada desta história ao cinema.

“Natália” é uma história de paixão em forma de diário, escrito pela narradora, Natália, durante três períodos críticos da sua vida. A protagonista, órfã, construiu as suas memórias em torno do que lhe contou e sugeriu o avô materno. Quando este morre, ela vai ter de se confrontar com realidades que a levarão a desvendar o enigma das suas origens.

“Trópico de Capricórnio”, de Henry Miller, decorre na Nova Iorque dos anos 20 do século XX, uma cidade corrupta, decadente, pobre e em desespero onde o narrador se sente condenado com necessidade de se libertar.

Em “O Desafio de Obama” o comentador e analista político Robert Kuttner faz uma análise do panorama actual e do que deve ser feito para o alterar, e traça o perfil do novo presidente e os passos que o podem conduzir a uma liderança sólida e efectiva.

Destaque ainda para as edições de “O Regresso da Economia da Depressão e a Crise Actual”, de Paul Krugman, laureado com o Nobel da Economia em 2008, de “A Criança e o seu Desenvolvimento”, de Stanley I. Greenspan, do livro de exercícios “Resumo Essencial de Biologia e Geologia”, de Floripes Cunha e Maria dos Prazeres Fragoeiro, e de “A Filosofia do Não – Filosofia do Novo Espírito Cientifico”, de Gaston Bachelard.

Para o público mais jovem destaque para a colecção As Cenas da Malu, que apresenta no primeiro número “Que Cena, Mãe!”, de Thalita Rebouças. Trata-se de uma obra que pretende abordar de forma divertida as relações entre mãe e filha

Por fim, é de realçar o relançamento de “Coraline e a Porta Secreta”, de Neil Gaiman. Na nova casa de Coraline Jones existem vinte e uma janelas e catorze portas. Treze portas podem ser abertas, mas uma está sempre fechada. Coraline decide investigar o que há para lá desta porta e descobre uma passagem secreta para outra casa exactamente igual à sua, onde encontra uma série de coisas muito, muito estranhas…

Novidades Temas e Debates (Fevereiro)

atlas3A Temas e Debates lança em Fevereiro uma obra ambiciosa (são mais de 600 páginas) intitulada “Portugal – Atlas do Património”, da autoria de Álvaro Duarte de Almeida, Duarte Belo e Júlia Mateus Soares.

Trata-se de uma selecção de cerca de 9100 unidades de património implantadas, organizadas em forma de ficheiro. Engloba uma grande variedade de géneros e tipologias, incluindo desde edifícios de grande impacto monumental ou simbólico, a árvores, trechos de paisagens ou obras de engenharia.

Fevereiro é ainda o mês em que chega às livrarias mais um volume da colecção Reis de Portugal, a biografia “D. Pedro V”, da autoria de Eugénio dos Santos.