Olivier Rolin resolveu passar à escrita aquilo que ele e os seus companheiros de luta e de causa viveram na “quente” época do Maio de 68. Daí surgiu “Tigre de Papel”, uma notável obra, de difícil leitura (é certo), mas cativante e envolvente, por nos levar a uma época (para muitos desconhecida por ser demasiado recente para entrar nos livros de História) que abalou a França e teve repercussões em todo o mundo, já de si muito agitado.
Rolin, romanceando factos ocorridos quando ele próprio, com o nome falso de “Antoine”, lutava contra o poder instalado, põe-se na pele de Martin. Este, um antigo combatente ao regime, já na actualidade, enquanto conduz um “boca-de-sapo” (símbolo da época), conta à filha do seu melhor amigo (Treize) como eram aqueles tempos. O carro vai circulando ininterruptamente pela periférica de Paris (uma espécie de VCI do Porto em grande escala) e Martin debita histórias, justificações, arrependimentos, falando tanto dos momentos gloriosos, como dos fracassos. Trata-se quase de um monólogo, já que a jovem pouco intervém – uma espécie de confissão. Martin (ou Rolin?) tenta deixar tudo explicado, bem claro, para talvez fechar assim um ciclo, ao mesmo tempo que alerta implicitamente para a apatia que se vive na sociedade de hoje em dia.
Quase sempre na primeira pessoa (excepto quando Martin fala para ele próprio) o romance decorre a um ritmo por vezes difícil de acompanhar, sentindo-se uma espécie de ansiedade do autor em contar/confessar tudo o que viveu e pensou.
Mas, fique claro, “Tigre de Papel” não busca o perdão.
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O escritor e pensador francês Olivier Rolin em conversa sobre “Tigre de Papel” (Edições ASA), romance que funciona como testemunho de uma época que marcou França e o próprio autor: o Maio de 68. Visto por dentro, o Maio de 68 é contado pelo narrador à jovem filha de um amigo já morto. Uma lição de história em forma de romance.
A Saída de Emergência anunciou a compra dos direitos para a publicação da série “Sangue Fresco” em Portugal. O primeiro romance, “Morte ao Anoitecer”, chega às livrarias a 9 de Abril.
A Booktailors lança em finais de Fevereiro “A Edição de Livros e a Gestão Estratégica”, de José Afonso Furtado. Este lançamento corresponde ao início de uma “biblioteca” que a Booktailors pretende construir alicerçada em obras destinadas a profissionais, investigadores e interessados no sector da edição e do livro.
Jesús del Campo, escritor espanhol, viajante e filólogo, pegou na personagem Jim Hawkins, de “A Ilha do Tesouro”, e deu-lhe um futuro, imaginou-lhe uma vida em “As Últimas Vontades do Cavaleiro Hawkins”, lançado em Portugal Ambar. Del Campo revelou ser um escritor que quer devolver a felicidade ao enredo das obras literárias e fá-lo de um modo sublime neste romance que respeita a tradição das histórias de aventuras, mesmo sendo uma obra inovadora.
enturas, mas de um estilo diferente, porque é através dos sentidos do autor que as vivemos de uma forma essencialmente contemplativa. Hawkins, com a fortuna conquistada na Ilha do Tesouro, reabre a estalagem do almirante Benbow e dedica-se a receber hóspedes que tenham uma estória para contar. Assim, trata-se quase de um livro de contos, preenchido pelas estórias dos hóspedes, havendo ainda lugar para um amor doentio de Hawkins, que agora vive das aventuras dos outros e do prazer da leitura. Se na biblioteca dele pudesse constar Jesús del Campo, de certeza que seria um dos seus autores favoritos.
“Uma mulher em cada porto” é talvez a frase mais apreciada por qualquer marinheiro. O herói de banda desenhada Corto Maltese, apesar das suas características muito especiais, não escapa a esta tradição, quanto mais não seja devido ao charme que espalha por onde passa. E passou mesmo por muitos lados…
A Livraria Pó dos Livros (Avenida Marquês de Tomar, 89, Lisboa) vai acolher no dia 25 de Fevereiro (quarta-feira) a sessão de apresentação do mais recente livro de poesia de Ondjaki, intitulado “Materiais para Confecção de um Espanador de Tristezas”.
A obra “E Agora, Obama?”, da autoria de Carlos Santos (professor de Economia na Universidade Católica) e editada pela Esfera do Caos, vai ser apresentada no dia 28 de Fevereiro (sábado) ao meio-dia na livraria Leitura Books & Living, no Shopping Cidade do Porto. 
A Presença acaba de lançar mais um pacote de novidades, onde se incluem “Natália”, o novo romance de Helder Macedo, “Trópico de Capricórnio”, de Henry Miller, e o relançamento de “Coraline e a Porta Secreta”, de Neil Gaiman, aproveitando a chegada desta história ao cinema.
A Temas e Debates lança em Fevereiro uma obra ambiciosa (são mais de 600 páginas) intitulada “Portugal – Atlas do Património”, da autoria de Álvaro Duarte de Almeida, Duarte Belo e Júlia Mateus Soares.