“A Sombra do Templário”, romance de estreia da espanhola Núria Masot – editado em 2005 pela Dom Quixote –, contém uma história de espionagem decorrida em 1265, em Barcelona. Para além dos templários, como deixa a entender o título, envolve também o papa, a casa real francesa e os judeus, tendo por cenário a Barcelona medieval, nomeadamente o seu bairro gótico.
O protagonista é um templário, Bernard Guills, que apesar de morrer envenenado quase no início da aventura acaba por ser o motor desta intrincada história capaz de agradar aos amantes de romances históricos (e não só) onde, mais uma vez, é posta em causa a base do poder do cristianismo.
Guills, que chega a Barcelona a bordo de um barco, transporta consigo uns importantes pergaminhos, mas é envenenado e roubado antes de pôr os pés em terra, onde ainda é socorrido por um velho médico judeu, Abraão Bar Hiyya, a única personagem real desta obra. Ao velho judeu Guills, já moribundo, pede que entregue a um seu discípulo, Guillem de Montclar, os manuscritos que transportava com todo o secretismo. Só que estes pergaminhos acabam por nunca chegar às mãos de Guillem, que se vê assim levado a desencadear a sua primeira missão, embora não se sinta ainda totalmente preparado mesmo com todos os ensinamentos que Guills já lhe havia proporcionado.
Guillem parte assim à busca do precioso documento, mas está numa corrida com muitos concorrentes cientes da importância do pergaminho, que contém revelações capazes de alterar a História do cristianismo. O pior obstáculo de Guillem é “A Sombra”, velho inimigo da Ordem e, particularmente, de Guills.
Entre a aventura e o mistério, bem doseados por Núria Masot, temos uma trama intrincada, embora longe de atingir o brilhantismo. A autora desembaraça-se melhor na descrição de ambientes ou cenários do que no desenvolvimento da própria história, à qual falta às vezes um pouco mais de mistério.
A autora
Núria Masot, que nasceu em Palma de Maiorca em 1949, foi jornalista e trabalhou no teatro antes desta estreia na literatura, que aconteceu, em Espanha, em 2004. Amante da história e dos relatos de aventuras, foi com naturalidade que optou por esta via na escrita de “A Sombra do Templário”, para a elaboração do qual recorreu a uma vasta bibliografia do templários catalães e ao arquivo histórico de Barcelona.
Em “A Sombra do Templário”, no início de cada capítulo vem uma citação do universo dos templários com perguntas e deveres para os que pretendiam aderir à ordem.
Tratou-se apenas de coincidência (e nada mais do que isso) a edição de “Gone, Baby, Gone”, de Dennis Lehane, na mesma altura em que ocorreu o desaparecimento de Madeleine McCann no Algarve.
“A Namorada Portuguesa e outras 100 Histórias”
Dan Brown, norte-americano autor de “O Código da Vinci”, já antes havia escrito “Anjos e Demónios”, romance cuja acção decorre quase integralmente no Vaticano e que se revelou igualmente um tremendo sucesso de vendas.
Juan Rulfo, escritor mexicano com uma curta produção literária, não precisou de mais de duas obras (uma novela, “Pedro Páramo”, e um livro de contos, “A Planície em Chamas”) para se tornar um dos nomes maiores da literatura mundial.
“Zorro – O Começo da Lenda” é um projecto único onde surgem unidos um dos heróis mais populares do mundo – Zorro – e uma das mais conceituadas escritoras da actualidade – Isabel Allende. Estes dois ingredientes por si só não bastam para fazer um bom livro, mas a verdade é que neste caso isso aconteceu. E a ideia até era arriscada, porque Allende fez sucesso como autora de outro tipo de obras e pegar num herói já com nome e personalidade feitas poderia ser limitativo. Contudo, Isabel Allende soube respeitar o justiceiro da mascarilha e construiu uma infância e juventude que encaixam na perfeição na ideia que temos de Zorro.
Hernán Neira é mais um, entre vários escritores chilenos, com qualidades para se afirmar no panorama literário internacional.
